Cartografia de controvérsias: conexões entre o conhecimento científico e a disputa sobre a instalação do Projeto Apolo na Serra do Gandarela
Nome do(a) autor(a)
Elisa Sampaio De Faria
Nome do(a) orientador(a)
Francisco ÂNgelo Coutinho
Instituição IES
UFMG
Ano de Defesa
2014
Resumo
Com o objetivo de contribuir com o debate sobre a formação cidadã na Educação em Ciências, investigamos as conexões entre a participação cidadã e o conhecimento científico na disputa sobre a instalação do Projeto Apolo na Serra do Gandarela. Nos últimos anos, a pesquisa em Educação em Ciências e os documentos oficiais que regulamentam o ensino de ciências no Brasil relacionaram fortemente a aquisição de conhecimentos científicos como um pré-requisito para a cidadania técnico-científica e para se tomar decisões conscientes nesse campo. Apesar da recorrência do entendimento de que a aquisição de conhecimentos científicos seja imprescindível para a participação democrática, e de muitos trabalhos utilizarem a formação científica cidadã para dimensionar a importância do ensino e da aprendizagem de ciências, faltam evidências empíricas de que a “alfabetização científica” esteja efetivamente habilitando os educandos para atuarem em controvérsias técnicocientíficas de interesse público. Com o objetivo de produzir um trabalho empírico que, de fato, investigue a conexão entre o conhecimento científico e a participação democrática, mapeamos o Projeto Apolo. Esse empreendimento técnico-científico controverso se instalaria na Serra do Gandarela, local rico em patrimônios naturais, paleontológicos, fisiográficos, culturais e históricos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Tal polêmica mobiliza atores diversos, como: cidadãos leigos, pesquisadores, políticos, empresários, animais em risco de extinção, plantas endêmicas, recursos naturais, grupos populares, ONG’s, empresas, instituições públicas etc. Diante da heterogeneidade dos participantes da disputa, fez-se necessário reunir ferramentas teóricas e analíticas que compartilhassem da perspectiva da ecologia política, tal como apresentada por Latour. O conjunto de ferramentas concebido para essa pesquisa foi, portanto, fortemente fundamentado pela Teoria do Ator-Rede (ANT), cujo autor com obra mais expressiva na atualidade é Latour, e que tem como um de seus princípios fundamentais a simetria generalizada, que inclui humanos e não humanos na análise sociológica. A ANT foi aliada à noção de políticas ontológicas (LAW, MOL), com grande contribuição do conjunto de ferramentas fornecidos pela Cartografia de Controvérsias (LATOUR, VENTURINI), e aportes da noção de cosmos e da proposta cosmopolítica de Stengers. Também foi utilizado um aplicativo de mineração de dados da Web 2.0 (Netwizz) e um software de visualização e análise de redes (Gephi). Com esse agrupamento de ferramentas, espera-se politizar questões relacionadas ao conhecimento científico e conceber as práticas investigadas de maneira a incluir a atuação dos mais diversos tipos participantes. Os resultados possibilitam propor uma democracia participativa onde os cidadãos leigos tenham crescente poder de questionar o raciocínio técnico dos governos sempre que possuam dispositivos e procedimentos para se informar, desnaturalizar a ideia de que por trás de todas controvérsias deve existir uma realidade objetiva independente do que os atores imaginam, dizem ou fazem, e que todos cujas práticas estejam envolvidas de múltiplas maneiras com controvérsias técnico-científicas devem participar ativamente, sejam eles cidadãos leigos ou pesquisadores. Pretendemos também sugerir que não há lógica universal nem instituições absolutamente abrangentes capazes de abarcar os diferentes mundos, e que, se as realidades são feitas local, contingentemente e com espaço para hesitações, assim também deve ser construído, muito lentamente, o mundo comum.
Palavras-chave
Classificações
Nível de Ensino
—
Componente Curricular
—
Público Alvo
Comunidade
Modalidade
Não se aplica



