Grupo de Estudos e Pesquisa em Alfabetização Científica e Tecnológica

Banco de Dissertações e Teses

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Mestrado Acadêmico Escolar

O ensino de Ciências Naturais com ênfase na Alfabetização Científica de estudantes com deficiência visual

Nome do(a) autor(a)

Aline Da Silva

Nome do(a) orientador(a)

José Claudio Fonseca Moreira

Instituição IES

UFRGS

Ano de Defesa

2020

Resumo

A comunicação, observação e exploração visual embasam o ensino de Ciências Naturais, especialmente no âmbito dos anos finais do ensino fundamental. Tal fato é a causa de dúvidas por parte dos professores que ao se depararem com estudantes com deficiência visual incluídos questionam a aquisição de conhecimentos da Ciência e a aplicabilidade dos conteúdos trabalhados nas aulas no cotidiano. Este estudo se propõe investigar a articulação entre a alfabetização científica (AC), admitida como conjunto de conhecimentos, procedimentos e valores que permitem tomar decisões, ler cientificamente o mundo e transformá-lo em algo melhor, e a efetivação do ensino de Ciências Naturais de deficientes visuais – cegos, incluídos em classes regulares dos anos finais do ensino fundamental. O caminho metodológico contempla uma abordagem exploratória descritiva, em um estudo caso etnográfico com a participação de uma estudante cega e sua respectiva professora de Ciências Naturais, conduzido em uma escola estadual da cidade de Santa Cruz do Sul, pertencente a 6ª Coordenadoria Regional de Educação, do Rio Grande do Sul. O procedimento de pesquisa de campo baseou-se na descrição da observação participante de seis horas/aulas registradas em diário de campo e nas informações obtidas por meio de entrevista semiestruturada, analisadas quali-quantitativamente a partir dos fundamentos da Defectologia (VYGOTISKY, 1997), das contribuições da Teoria Ator-Rede ( LATOUR, 1993) e dos Eixos estruturantes da Alfabetização Científica (SASSERON, 2008). A fim de avaliar a assimilação da docente em relação às três dimensões da Alfabetização Científica, utilizou-se como instrumento de coleta de dados o Teste de Alfabetização Científica Básica (TACB), de Laugksch e Spargo (1996). Identificou-se que o nível de alfabetização científica da professora avaliada está acima do mínimo, resultado que exprime a apreensão de habilidades e competências socioambientais coerentes, como reflexo da formação e na prática docente. Contudo, mesmo que o professor possua habilidades que o qualifiquem como Alfabetizado Cientificamente o planejamento docente precisa ser pensado de modo a promover aos estudantes a formação quanto aos eixos e dimensões da AC. Observou-se na composição da rede de actantes a interação constante entre agentes humanos e não-humanos e que permanecem resquícios das fases biológica e sociopsicológica, devido à escassez de estratégias e de aporte metodológico ofertados, além da valorização da percepção através do tato, relacionada a compensação da limitação orgânica, descrita por Vygotsky. Concluiu-se que o ato de planejar o ensino de Ciências que promova a AC toma outra proporção quando versa em desencadear o processo em estudantes deficientes visuais -cegueira, não somente pelo perfil de aulas adaptadas, mas pela necessidade de repensar a atuação mediadora do docente e dos recursos aplicados ao ensino.

Palavras-chave

Ensino de ciências Alfabetização Científica Deficiência visual

Classificações

Nível de Ensino

EF II

Componente Curricular

Ciências

Público Alvo

Alunos, Professores

Modalidade

Regular