Grupo de Estudos e Pesquisa em Alfabetização Científica e Tecnológica

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Doutorado Acadêmico Escolar

Estudos sobre uma proposta de Alfabetização Científica afrocentrada: a implementação do projeto Afrocentrista

Nome do(a) autor(a)

Talita Ferreira De Rezende Costa

Nome do(a) orientador(a)

Anna Maria Canavarro Benite

Instituição IES

UFG

Ano de Defesa

2024

Resumo

A produção de bens de consumo envolve conhecimentos tecnológicos e científicos que estão voltados para a conveniência do mercado. Neste sentido, o conhecimento científico se constitui como espaço de poder que ajuda a regular as percepções de vida boa dos sujeitos, e no senso comum a vida boa está atrelada ao consumo. A disponibilidade tecnológica segue uma lógica excludente e perversa, a maioria dos bens não é acessível à população. A alfabetização científica deveria formar cidadãos críticos e autônomos. No entanto, os modelos de ensino redundam em visões descontextualizadas e socialmente neutras, caracterizadas por conteúdos em excesso, tratados de forma empobrecida, não apontando o impacto da atividade científica e tecnológica na vida das pessoas. O conhecimento é apresentado de forma linear e acumulativa ignorando a complexidade das reformulações de teorias, se esquecendo das crises e revoluções científicas e, principalmente, sem levar em consideração a pluralidade de pensamentos sobre o mesmo assunto. Esse modelo, portanto, replica e reforça a ideia de que o sujeito alocado no lado oprimido das relações de poder está automaticamente em um lugar epistêmico subalterno. Logo, é crucial discutir como a produção e o ensino de saberes científicos fomentam as estruturas de racismo e epistemicídio: primeiro, porque os sujeitos instituídos como detentores de conhecimento seguem o padrão eurocêntrico; e, segundo, porque o espaço onde se (re)produz o conhecimento científico é um espaço de privilégio branco, sistematicamente negado a pessoas negras. Assim, a proposta da Afrocentricidade é contar a história a partir do protagonismo dos Africanos e Africanas em diáspora, representando uma preconcepção da realidade histórica e social dos povos Africanos. A química por ser uma ciência também é impactada pelos viés de conteúdos eurocentrados, misóginos e pautados no epistemicídio. Diante disso, é necessário ressaltar que a química não tem início na filosofia grega, ela nasce com a história do homem, e boa parte do contorno da História da humanidade envolve a manipulação da matéria (química) como ponto de conflito e interesses entre diferentes sociedades. Articulando tais conceitos, esta tese buscou por meio da implementação do projeto Afrocientista propor um caminho possível para uma alfabetização científica pautada em referenciais afrocentrados. Para tanto, utilizamos a simbologia Adinkra como tema principal e a serigrafia como técnica para a produção de estampas e como meio de veiculação dos conhecimentos químicos.

Palavras-chave

Alfabetização Científica Epistemicídio Afrocentricidade Serigrafia Simbologia Adinkra

Classificações

Nível de Ensino

EM

Componente Curricular

Química

Público Alvo

Alunos

Modalidade

Regular